E tanto por dizer.
O sol dos dias, vem das almas, das coisas simples da vida. Emoções doces são tudo o que preciso para que o sol apareça nos dias mais escuros.
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domingo, 10 de setembro de 2017
domingo, 1 de maio de 2016
Dia da mãe 2016
Sim, sou tua mãe. Nunca me escondi de ti tal como sou, em todas as circunstâncias. Conheces tudo de mim, o melhor e o pior. Lês-me como ninguém e somos feitas destas partilhas alegres e tristes.
Os meus olhos vêem tudo em ti. Amamo-nos desde sempre, desde o princípio dos tempos. de todas as vidas..
Um dia, a flor murcha que serei, guarda-a num qualquer livro. Estarei sempre lá.
Porque te amo infinitamente desde a terra até ao céu.
Minha sempre Coelha.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Vai-se andando.
Depois de ter decidido deixar os anti depressivos, ter estado quase entrevada com uma vértebra a fugir do sítio a apanhar o nervo ciático, quase sem andar, agora uma dor horrível no olho e ouvido esquerdos há quase 15 dias.
Pode ser uma constipação localizada pelo frio que apanhei nos dois últimos fins de semana. Mas, sendo que sou dada a entender que as dores físicas vêm do lado emocional, resolvi voltar ao dicionário das doenças emocionais e falar do assunto numa aula de Chi Kung, cujo professor é uma pessoa extraordinária com uma grande e enriquecedora história de vida.
"Receitou-me" uma meditação de auto hipnose, que com as costas funcionou e comecei a fazer com o olho. Parece estar a melhorar. De facto há coisas que já não tento explicar a ninguém, não tento "evangelizar", cada um tem o seu caminho e adequa-o ao seu destino. Até porque nem todos estamos no mesmo plano evolutivo e, assim como há pessoas não preparadas para entender, há outras que já têm um caminho com o qual se identificam. Portanto, cada um na sua.
E tem sido curioso descobrir coisas que pensava resolvidas. Vêm flashes de situações da infância, raivas amordaçadas há muitos anos, pedidos de perdão no fundinho da alma. Tudo é válido, tudo deve ter a devida atenção. Entender, aceitar, resolver e deixar ir.
Consultei também um osteopata pela primeira vez, em terras estranhas. Excelente!!
Assumi de uma vez por todas que tenho resistência à mudança, que não resolvo as minhas diferenças com o lado materno, que a idade, velhice e doenças me assustam, o esquecimento, o abandono e o julgamento, que eu imagino que os outros fazem de mim, bloqueiam-me. O caminho não tem volta, mas pode dar-se a volta ao caminho.
Deixo-vos um texto que" roubei" e que leio todos os dias.
Existo como soy, con eso basta,
y si nadie lo sabe, me doy por satisfecho. Lo mismo que si todos y uno a uno lo saben.
Hay un mundo al que tengo por el mayor de todos, que soy yo y, que lo sabe.
Si llego a mi destino, ya sea hoy ya sea dentro de millones de años, puedo aceptarlo ahora o seguir aguardando, con igual alegría....
WALT WHITMAN, Canto a mí mismo
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Podia pôr esta merda entre aspas e dizer que era de autor desconhecido.
A minha vida não é prazer é obrigação. Queria dizer tudo como os malucos, sem filtros nem auto censura. Rasgar o peito, soltar as emoções, gritar o que que quero e sobretudo o que não quero. Apetece-me despachar esta merda. Respirar. Que me sinto a gastar um tempo fora de prazo, apodrecido. Este que passa na correria de tratar de todos, de ser compreensiva com todos, de aguentar tudo com o sorriso 46 e ainda dormir sem insónias. Porque há que acordar bem dispostinha, para continuar a inutilidade do dia seguinte. Igual aos outros todos. Já me estou a martirizar, porque penso que sou uma ingrata, que há muito pior que eu na sua realidade. Pois...mas hoje e agora, quero mesmo é que se fodam.
Pergunto-me como pode alguém ser feliz ao meu lado...
Sou responsável pela carga pesada passada à minha filha, nesta constante ansiedade em que me sinto.
Quis suicidar-me um dia... há muitos anos. Talvez tivesse sido melhor para todos e não tivesse ela de carregar com uma história feia de uma mãe infeliz. História também dela, gravada no ADN sem necessidade.
Estou negra, muito negra. Nestes dias odeio tudo. Caguei nos antidepressivos, nas artimanhas para adormecer a existência.
E qual caminho, qual merda!!! Vai dar à morte, vazia e fria. Tal como a puta da vida cheia de ilusões.
terça-feira, 7 de abril de 2015
Harley Davidson (em Mérida)
Ali em Mérida há um destes bares, com a respectiva loja e tal.
Ao entrar, começa logo mal, que em vez de rock do bom, levamos com "regetón"
( El término “reguetón” es la forma adaptada al español a partir de la raíz del vocablo “reggaetón”, este a su vez viene de la palabra “reggae” y el sufijo “tón”. Fue acuñado por el productor panameño Michael Ellis en Puerto Rico en 1988.[7] [8] Según el artista Gringo el Original el término significa “reggae grande”:)
Quase para vomitar antes de comer....
Depois vem a ementa.
- Hola.
- Buenas.
- Queremos una hamburguesa Extrem....otra chicken little...una ensalada mixta...
- Como?
- Una hamburguesa Extrem (com sotaque)....
- Ahhhhhh Extremeña!!! Habla en español que no tengo tiempo.
Sobrancelha no ar, sorriso 35 (aquele sem sorrir) e apontei com o dedo.
- Este, este e esta. Gracias.
Depois meti-me no carro e na Kiss FM estava a dar "Campos Dorados do Éstin" ou seja, Fields of Gold do Sting.
É quando caio em mim.... e opto pelo CD do Paul Simon.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Do amor, esperam-se milagres
Tenho por norma não abrir a porta a ninguém que não me tenha avisado que vem a minha casa. Manias antigas. A excepção é mesmo o carteiro, não vá de ter de assinar alguma coisa.
Hoje e pela insistência do cão resolvi abrir.
Era uma senhora a fazer um peditório para levar uma menina com cancro para o México. Os médicos deram-lhe 4 meses de vida, mas há um feiticeiro muito bom por lá, que a família quer consultar e tentar.
A avó fez umas coisinhas para vender e angariar fundos. Serpentinas enroladas de várias cores, envoltas em papel celofane com coraçõezinhos.
Conto do vigário, fé, amor...pouco importa.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Já sei onde é o meu lugar no céu
"Lembras-te de te contar que numa das vezes que o pai me veio ver em sonhos, me disse que não podia ficar porque tinha muitas flores para cuidar?
Pois sonhei esta noite que fui ao céu ver o meu sítio. É muito lindo, com florinhas, papoilas, espigas, trevos tudo verdinho, com um areal...podemos deitar-nos ali e há muita paz.
E percebi tudo, é a alma que vai, que o corpo vai para o mar e não interessa nada. Quando voltei, vocês já tinham as cinzas num pote dentro de uma caixa de sapatos. E não me importei. Cuidaram de tudo e fiquei descansada.
Não me importo nada de ir para lá. Vê lá tu as coisas que eu sonho..."
E guardas lá um cantinho para mim?
"Quem me dera!!"
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Por todo o lado
Não sou cosmopolita e como tal as idas a Madrid ficam restritas a dias especiais ou quando tenho visitas. Sacrifício do caraças.
E lá fui eu, de braço dado festejar uma data importante. Noite fria de rachar, a iluminação bonita, os casacos compridos, o meu chapéu de abas. Ia perguntando se faltava muito, que as dores de pés já não querem saber de saltos altos, mas um dia não são dias.
Do outro lado da avenida rapazolas aos magotes, já entornados, aos berros. Por estes lados falar aos berros é tão normal como piscar os olhos, logo não dei importância até ouvir um valente: Foda-seee!!
São portugueses, oh valha-me!
Passámos por eles, ficou um mais para trás que a "gripe" era maior, aproxima-se e solta-me:
- Guapa que belo "thapéu" !!!
- Muito obrigada!!!! (Em uníssono)
- ???????????????? Portugueses... é assim mêmo!!!!!
E seguimos os nossos caminhos a rir que nem perdidos.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Dezembro é o costume
Para não variar, Dezembro é AQUELE mês. Tive notícias de familiares doentes, um deles que vejo pouco, mas para quem a vida foi dura, ingrata e fria contra todas as previsões e expectativas. Mais uma vez transporta-me para a casinha à beira mar, onde partilhámos brincadeiras, etapas da vida e onde nos encontrávamos sempre. Apesar de não ser extrovertido é um dos 4 mosqueteiros de que me lembrarei até ao fim.
Parece que desde que se fechou aquela casa, o Natal morreu. Talvez mesmo antes, com o desaparecimento da minha tia/mãe e depois a minha avó.
E quando foi a vez da minha madrinha, acabou.
Bem sei que formámos todos as nossas famílias, cada um seguiu o seu rumo...a distância física venceu-nos. Vemos-nos quando se proporciona. Vamos indo. Vamos andando.
Para compor o ramalhete, tenho uma bruxa má na minha história de vida recente, que me roubou o resto. Dividiu o indivisível. Não sei em nome de quê engulo este sapo. Talvez por respeito, gratidão e amor por alguém que merece e não tem culpa. E depois, preciso de encontrar alguma paz interior, mas francamente só me apetece dormir e esquecer para me alhear. É muito violento ter de me obrigar a ser hipócrita com o sorriso 54 na cara.
Por tudo isto, deixei de ser efusiva nos meus votos de Boas Festas. Não porque não o deseje, mas porque quando abro a boca me soa mal. Ecoa num poço sem fundo... no meu fundo.
Mesmo assim, desejo-vos tudo de bom, pensem no que vale a pena, deixem-se envolver por aquilo que vos faz felizes que isto é uma passagem, dura pouco e não tem de doer.
Construam boas memórias, porque no fim das contas é o que nos resta.~
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
O que eu estimo é o que eu desejo
Criancinha fofinha de gorro com pompom, toda redondinha, cutchi cutchi...
Abre a boca e diz:
- Que perro más feo!!!
Coitado, não sabe que vai mijar na cama até aos 25 anos...no mínimo.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Ausência prolongada
Sem net nem telefone durante um mês. Irra!!!!!!!!
Mudança de operadora, já que a vontade de resolver o problema foi sempre nenhuma e perdi a pachorra e até mesmo a compostura com gente negligente, nada profissional e mentecapta.
Diga-se de passagem que não tenho novidades.
Tenho dores, vou começar um estudo exaustivo com traumatologia, reumatologia e tal, para ver como anda o esqueleto. A somar as gripes, as tosses, os espirros.
A coisa boa, assim mesmo boa, é que entretanto estive em Paris 4 dias, não conhecia e adorei. Parecia uma miúda num conto de fadas.
Do Natal, falo mais tarde se me apetecer. Sim, que é aquela coisa estranha entre o vírus e a bactéria.
domingo, 26 de outubro de 2014
Não sei que pedir aos Deuses
Vou ficar aqui. Queria chorar e não consigo. Quieta à mercê dos caprichos do tempo impiedoso. Daquele que passa e do que não passa. Vou ficar aqui, amachucada, a adiar viagens, encontros e sonhos. A fingir que sou forte, que estou presente. Aqui a morrer devagarinho...
Amanhã é longe demais. Nunca, é muito tempo. Para sempre, também.
Vou ficar aqui quieta.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Será por "isso" que não me habituo a" isto"?
"Nas ruas calcetadas de Granada, sob as majestosas torres do Alhambra, ecoam música e segredos. Sónia Cameron não sabe nada sobre o passado chocante da cidade; ela está lá para dançar. Mas num café sossegado, uma conversa casual e uma colecção intrigante de fotografias antigas despertam a sua atenção para a história extraordinária da devastadora Guerra Civil Espanhola.
Setenta anos antes, o café era a casa da unida família Ramirez. Em 1936, um golpe militar liderado por Franco destrói a frágil paz do país, e no coração de Granada a família testemunha as maiores atrocidades do conflito. Divididos pela política e pela tragédia, todos têm de tomar uma posição, travando uma batalha pessoal enquanto a Espanha se autodestrói."
Resisti 2 anos a este livro tendo começado 4 vezes a lê-lo sem sucesso. Nem sabia bem porquê.
Finalmente rendi-me à insistência e fiquei siderada. Confesso que de Espanha sei muito pouco, sei da história do nosso curriculum escolar e nunca nutri muita simpatia pelo assunto. Por aqui, ninguém fala dessa história recente, embora muitas das pessoas que conheço tenham tido um familiar que combateu nesta guerra horrenda.
Devo dizer que desde dor de estômago a vómitos e lágrimas, aconteceu-me de tudo Devo dizer que não teria visitado sítios como o Vale dos Caídos ( onde me senti mal e chorei muito) se tivesse lido este livro antes.
Tenho vontade de ler e saber mais. Mas ao mesmo tempo sinto repulsa. Essa má energia ficou gravada no solo.
Foi o holocausto espanhol. Abominável!
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Sou uma "de Oliveira Lopes" com muito orgulho
Pretensiosismo e possidoneira cada qual toma a que quer. Como tenho vindo a dizer, estou velha para este mundo, ou sou anti social sendo que fazer fretes não é o que o médico me receitou, ou é só mesmo mau feitio.
Pois que alguém da família do meu companheiro de vida resolveu juntar um ramo da família, duma árvore "ginecológica" daquelas com nome pomposo mas que começaram por ser ilegítimos e, deram-se ao trabalho de trazer gente de todo o lado, desde o Brasil à Suécia, numa confraternização com ares de casamento pimba. Dos mais chegados aos que nunca se viram houve de tudo, sendo que mesmo os mais chegados se encontram uma vez em cada 10 anos. Desde as lantejoulas à naftalina foi tudo muito agradável.
Ora eu que até fui "banida" à nascença na minha aparição de pára quedas neste mundo dos bem, eu que sim, sou da plebe e nada tenho a ver com o assunto, fui arrastada para este evento maravilhoso (NOT), assim como os meus enteados que ao ver passar os slides dos tetravós de há 2 séculos iam fazendo comentários de me partir a rir ( e que quem me conhece sabe da minha gargalhada solta, estridente e verdadeira) o que pode ter chocado as personalidades brasonadas. Ele era brinde e mais brinde, lembrança atrás de lembracinha, palavras de dar graxa ao cágado, bolo com brasão, enquanto que em voz baixa se ía perguntando: Mas quem é aquele? E a explicação perdia-se logo num emaranhado que quem casou com quem e depois morreu de um ataque de caspa enquanto atravessava a rua. Assuntos para desligar os motores e seguir em piloto automático, com uma bela garrafa de tintol por companhia e o sorriso 33 estampado no rosto.
Então eu, que bem contados tenho 7 parentes e se não souber de 4 durmo tranquilíssima, pergunto-me:
Que fiz para merecer isto?
Fugi assim que pude e fui fotografar o Outono que sempre é cá dos meus.
E depois fui depressa aos abraços, beijos e mimos da família que a vida me deu e que eu escolhi. Isso sim, doces momentos.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
10 anos depois (o exílio)
Fez 10 anos em Agosto passado que me vi entalada nas decisões e enlatada num avião a caminho de Espanha. Assim à traição, num matas ou morres. Um nó no estômago, na garganta e na vida, quando pensava que já nada de tão diferente me voltasse a acontecer. Tinha as memórias de África, das mudanças bruscas da vida nómada. Dos amigos e amores perdidos no tempo. Desta feita com uma filha atrás de mim, para o bem e para o mal, a seguir as minhas pegadas antes percorridas atrás dos meus pais.
Barcelona acolheu-me como soube. Tinha mar à porta de casa, trabalho, fiz amigos e consegui ter momentos felizes.
Há 5 anos, e para manter a tradição, a sina ou lá o que for, mais uma mudança à vista. Ficámos instalados numa cidade na comunidade de Madrid a 30 quilómetros. A história do "estranha-se e depois entranha-se" não tem sido nada assim. Não tenho mar, nem trabalho. Se bem que este último ano consigo gostar mais de cá estar. Vejo beleza e paz. E solidão.
Depois de o meu pai partir em 2008, a minha mãe veio viver comigo. Tive trabalho durante uns anos, não foi difícil mexer-me, mas agora não tenho. Tenho uma mãe a envelhecer, uma filha a ganhar asas e um marido ausente a maior parte do tempo. E passei dos 50, ou seja, morri para o mundo laboral.
Fiz poucos amigos, não me fascinam as pessoas. Afinal, na hora da verdade é a solidão que impera. A ninguém importa nada a não ser o próprio umbigo e as palavras cheias de significado transformam-se em balelas vazias de acção.
Pergunto-me que raio faço aqui, que tenho de aprender e chego sempre à conclusão que é isso mesmo, enfrentar e aceitar o meu medo da solidão e abandono.
Afinal é assim. Mesmo tendo alguém ao lado ninguém sente o que sinto.
O último acontecimento foi ter de levar a minha mãe para o hospital às 4 da manhã onde ficou internada 48 horas. Lá estava eu, sozinha a ter de entrar com ela para todos os exames que fez, porque não fala castelhano, está surda e quase cega. A minha filha esperava lá fora com o namorado, o marido ausente e eu...comigo.
Felizmente a minha relação com a velhota melhorou muito, porque melhorei eu na compaixão e paciência. Talvez se esteja a fazer a transformação antes do fim, para sanar as feridas.
Entenda-se que gosto de viver, sou alegre por natureza, atenta aos outros, não tenho nenhuma doença grave e sinto-me abençoada. Mas ninguém se sente perfeito e feliz o tempo todo. É treta.
Preciso de forças, porque a vontade às vezes é ficar só de uma vez, como quando se arranca uma árvore pela raíz.
E assim vai o meu mundo, onde está tudo no seu lugar. Crescendo e aprendendo.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
A minha censura
Ando cheia de silêncios. A tentar contê-los, engoli-los e esperar que se desvaneçam por falta de importância.
Se abrir a porta vai ser pior.
Aguardemos.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
A minha avó Tucha tinha uma trança
Há momentos de mãe e filha, daqueles mesmo bons, em que o tempo pára, a comunhão é total, o carinho transborda. Para compensar as arrelias diria eu, que de vez em quando ando esquerda. As mãos dela têm magia, aquele toque terapêutico desde sempre.
Senti-me mais filha que mãe neste caso e fui recordando quando lhe punha os elásticos e as fitas. Quando a penteava e pintava nos carnavais e ela muito pequenina e muito quietinha.
Viajei até às memórias da minha avó Tucha, que tinha uma trança que fazia à noite como um ritual e eu adorava observar. Tirava os ganchos do carrapito, penteava muitas vezes e fazia a trança com destreza. Era linda aquela trança e sempre quis ter uma. A minha avó cheirava a alfazema. Dos saquinhos das gavetas e contava-me estórias de encantar. Era doce a minha avó.
Lembrei-me desses poucos momentos com ela, de quem me foi curta a companhia e que eu amava.
É o ciclo da vida.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Tenho a saúde doente
Tenho a barriga nos ombros
e a cabeça no ventre.
Tenho os pulmões nos ouvidos
e o coração está na boca.
Penso com os pés
com as mãos
e no meio da confusão
ando de pernas para o ar.
Tenho a saúde doente
por ser poeta
e ser louca.
(Manuela Amaral, 1934-1995, Portugal
in "Tempo de Passagem, 1991)
sábado, 23 de agosto de 2014
Romarigães
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