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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Vai-se andando.

 
 


Depois de ter decidido deixar os anti depressivos, ter estado quase entrevada com uma vértebra a fugir do sítio a apanhar o nervo ciático, quase sem andar, agora uma dor horrível no olho e ouvido esquerdos há quase 15 dias.
Pode ser uma constipação localizada pelo frio que apanhei nos dois últimos fins de semana. Mas, sendo que sou dada a entender que as dores físicas vêm do lado emocional, resolvi voltar ao dicionário das doenças emocionais e falar do assunto numa aula de Chi Kung, cujo professor é uma pessoa extraordinária com uma grande e enriquecedora história de vida.
"Receitou-me" uma meditação de auto hipnose, que com as costas funcionou e comecei a fazer com o olho. Parece estar a melhorar. De facto há coisas que já não tento explicar a ninguém, não tento "evangelizar", cada um tem o seu caminho e adequa-o ao seu destino. Até porque nem todos estamos no mesmo plano evolutivo e, assim como há pessoas não preparadas para entender, há outras que já têm um caminho com o qual se identificam. Portanto, cada um na sua.
E tem sido curioso descobrir coisas que pensava resolvidas. Vêm flashes de situações da infância, raivas amordaçadas há muitos anos, pedidos de perdão no fundinho da alma. Tudo é válido, tudo deve ter a devida atenção. Entender, aceitar, resolver e deixar ir.
Consultei também um osteopata pela primeira vez, em terras estranhas. Excelente!!
Assumi de uma vez por todas que tenho resistência à mudança, que não resolvo as minhas diferenças com o lado materno, que a idade, velhice e doenças me assustam, o esquecimento, o abandono e o julgamento, que eu imagino que os outros fazem de mim, bloqueiam-me. O caminho não tem volta, mas pode dar-se a volta ao caminho.
Deixo-vos um texto que" roubei" e que leio todos os dias.


Existo como soy, con eso basta,
y si nadie lo sabe, me doy por satisfecho. Lo mismo que si todos y uno a uno lo saben.
Hay un mundo al que tengo por el mayor de todos, que soy yo y, que lo sabe.
Si llego a mi destino, ya sea hoy ya sea dentro de millones de años, puedo aceptarlo ahora o seguir aguardando, con igual alegría....

WALT WHITMAN, Canto a mí mismo




sexta-feira, 8 de maio de 2015

Podia pôr esta merda entre aspas e dizer que era de autor desconhecido.





A minha vida não é prazer é obrigação. Queria dizer tudo como os malucos, sem filtros nem auto censura. Rasgar o peito, soltar as emoções, gritar o que que quero e sobretudo o que não quero. Apetece-me despachar esta merda. Respirar. Que me sinto a gastar um tempo fora de prazo, apodrecido. Este que passa na correria de tratar de todos, de ser compreensiva com todos, de aguentar tudo com o sorriso 46 e ainda dormir sem insónias. Porque há que acordar bem dispostinha, para continuar a inutilidade do dia seguinte. Igual aos outros todos. Já me estou a martirizar, porque penso que sou uma ingrata, que há muito pior que eu na sua realidade. Pois...mas hoje e agora, quero mesmo é que se fodam.
Pergunto-me como pode alguém ser feliz ao meu lado...
Sou responsável pela carga pesada passada à minha filha, nesta constante ansiedade em que me sinto.
Quis suicidar-me um dia... há muitos anos. Talvez tivesse sido melhor para todos e não tivesse ela de carregar com uma história feia de uma mãe infeliz. História também dela, gravada no ADN sem necessidade.
Estou negra, muito negra. Nestes dias odeio tudo. Caguei nos antidepressivos, nas artimanhas para adormecer a existência.
E qual caminho, qual merda!!! Vai dar à morte, vazia e fria. Tal como a puta da vida cheia de ilusões.






segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Já sei onde é o meu lugar no céu




"Lembras-te de te contar que numa das vezes que o pai me veio ver em sonhos, me disse que não podia ficar porque tinha muitas flores para cuidar?
Pois sonhei esta noite que fui ao céu ver o meu sítio. É muito lindo, com florinhas, papoilas, espigas, trevos tudo verdinho, com um areal...podemos deitar-nos ali e há muita paz.
E percebi tudo, é a alma que vai, que o corpo vai para o mar e não interessa nada. Quando voltei, vocês já tinham as cinzas num pote dentro de uma caixa de sapatos. E não me importei. Cuidaram de tudo e fiquei descansada.
Não me importo nada de ir para lá. Vê lá tu as coisas que eu sonho..."

E guardas lá um cantinho para mim?

"Quem me dera!!"


domingo, 26 de outubro de 2014

Não sei que pedir aos Deuses

 
 
 



Vou ficar aqui. Queria chorar e não consigo. Quieta à mercê dos caprichos do tempo impiedoso. Daquele que passa e do que não passa. Vou ficar aqui, amachucada, a adiar viagens, encontros e sonhos. A fingir que sou forte, que estou presente. Aqui a morrer devagarinho...
Amanhã é longe demais. Nunca, é muito tempo. Para sempre, também.
Vou ficar aqui quieta.


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

10 anos depois (o exílio)


 
 


Fez 10 anos em Agosto passado que me vi entalada nas decisões e enlatada num avião a caminho de Espanha. Assim à traição, num matas ou morres. Um nó no estômago, na garganta e na vida, quando pensava que já nada de tão diferente me voltasse a acontecer. Tinha as memórias de África, das mudanças bruscas da vida nómada. Dos amigos e amores perdidos no tempo. Desta feita com uma filha atrás de mim, para o bem e para o mal, a seguir as minhas pegadas antes percorridas atrás dos meus pais.
Barcelona acolheu-me como soube. Tinha mar à porta de casa, trabalho, fiz amigos e consegui ter momentos felizes.
Há 5 anos, e para manter a tradição, a sina ou lá o que for, mais uma mudança à vista. Ficámos instalados numa cidade na comunidade de Madrid a 30 quilómetros. A história do "estranha-se e depois entranha-se" não tem sido nada assim. Não tenho mar, nem trabalho. Se bem que este último ano consigo gostar mais de cá estar. Vejo beleza e paz. E solidão.
Depois de o meu pai partir em 2008, a minha mãe veio viver comigo.  Tive trabalho durante uns anos, não foi difícil mexer-me, mas agora não tenho. Tenho uma mãe a envelhecer, uma filha a ganhar asas e um marido ausente a maior parte do tempo. E passei dos 50, ou seja, morri para o mundo laboral.
Fiz poucos amigos, não me fascinam as pessoas. Afinal, na hora da verdade é a solidão que impera. A ninguém importa nada a não ser o próprio umbigo e as palavras cheias de significado transformam-se em balelas vazias de acção.
Pergunto-me que raio faço aqui, que tenho de aprender e chego sempre à conclusão que é isso mesmo, enfrentar e aceitar o meu medo da solidão e abandono.
Afinal é assim. Mesmo tendo alguém ao lado ninguém sente o que sinto.

O último acontecimento foi ter de levar a minha mãe para o hospital às 4 da manhã onde ficou internada 48 horas. Lá estava eu, sozinha a ter de entrar com ela para todos os exames que fez, porque não fala castelhano, está surda e quase cega. A minha filha esperava lá fora com o namorado, o marido ausente e eu...comigo.
Felizmente a minha relação com a velhota melhorou muito, porque melhorei eu na compaixão e paciência. Talvez se esteja a fazer a transformação antes do fim, para sanar as feridas.
Entenda-se que gosto de viver, sou alegre por natureza, atenta aos outros, não tenho nenhuma doença grave e sinto-me abençoada. Mas ninguém se sente perfeito e feliz o tempo todo. É treta.
Preciso de forças, porque a vontade às vezes é ficar só de uma vez, como quando se arranca uma árvore pela raíz.


E assim vai o meu mundo, onde está tudo no seu lugar. Crescendo e aprendendo.







segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A minha censura

 
 



Ando cheia de silêncios. A tentar contê-los, engoli-los e esperar que se desvaneçam por falta de importância.
Se abrir a porta vai ser pior.
Aguardemos.




domingo, 15 de junho de 2014

Quando chega a hora

 
 
 



Matar sonhos acontece-nos a todos. Protelar situações também. Separar o trigo do joio, deixar ir. Nunca é de ânimo leve. Dói que se farta.
Em processo...

É tudo, por agora.



sexta-feira, 11 de abril de 2014

Datas

 
 
 
 
Cada vez mais metida comigo dando valor ao que realmente importa, pela primeira vez em 10 anos não me apetece sair de casa. Não faz qualquer sentido para mim.
Mas levarei flores aos meus padrinhos, lá ao sítio onde somos todos iguais.
O resto será um frete.
 
 
 
 


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

As nossas mentiras

 
 
 


Chegamos a uma idade em que já não sonhamos ser outro, em que nos temos de conformar e confrontar com aquilo que somos e consequentemente rendemos-nos, num quase desistir. Como se tivéssemos esgotado o tempo.
Um processo directamente ligado à mentira pura e dura, na vã esperança de nos irmos alimentando de alento, todos os dias em todas as idades a cada ocasião.
Injectam-nos de condicionalismos e expectativas, de promessas que tudo correrá bem se fizermos por isso. Hipotecamos a vida.
Mentem-nos por amor, por conveniência, por educação, por piedade, por maldade, por medo, por vaidade...e acreditamos!! Pior ainda, aprendemos a mentir e a mentir-nos.
Olho-me ao espelho. Vejo uma mulher madura, com rugas cabelos brancos, pálpebras descaídas e olhar mortiço. Não encontro a menina. Aquela a quem mentiram. Só vejo aquela que se mentiu e acreditou. Que se traiu  foi desleal e chegou aqui cheia de ilusões e com sonhos moribundos.
Já não posso ser outra, Sou esta, a mentira faz cada vez menos sentido, apazigua os medos cada vez menos. Já não vale a pena, já não me apetece e já não acredito.
É isto. Dezembro deixa-me assim, por todos os motivos e mais um. Se esperavam um post bonitinho, lamento muito estragar-vos o dia e a época natalícia (outra treta) com a minha verdade que dificilmente deixará de me atormentar. Dificilmente acreditarei noutro caminho que não seja o da morte. É para lá que vamos todos, não me mintam mais.
Mas prometo que entretanto rirei, farei rir, amarei e serei amada.
Mesmo que não seja verdade.

 (  Há um ruido na minha cabeça, no meu peito... lá muito ao longe....será que ainda ouço um grito calado da minha menina?...)




terça-feira, 22 de outubro de 2013

To let go





Desde menina que sempre que estou doente e se tenho febre fico mais atenta a tudo e muito introspectiva. Lembro-me que o meu pai me inundava a cama com livros para me distrair e entre leituras, sonhos e alucinações, passava muito tempo de olhos colados ao tecto. Ao longe a rotineira máquina de costura, marcava as horas que nunca mais passavam.
Não percebia o que estava a fazer, mas chegava muitas vezes a conclusões que me inquietavam ou me tranquilizavam. De certa forma sentia mudanças dentro de mim e sentia-me mais forte.

Não mudei muito a não ser a parte do pai que já não tenho, a máquina de costura que já não ouço. Continuo com os livros e alguma TV (para a qual não tenho pachorra) e com a mesma forma de me evadir e pensar na vida. Talvez seja a fragilidade que sinto, os tempos conturbados, as coisas que se acumulam dentro de mim e que nada mais são que lixo. Muito lixo. Quando nos ajudam a ver é melhor ainda, é uma validação uma confirmação daquilo que já sabemos, mas que duvidamos, porque nos falta força, vontade ou outra coisa qualquer. Embora racionalize e quase sempre saiba o que me preocupa e porquê, tapo o sol com a peneira e fica assim atamancado a crescer a ocupar espaço e a ser nocivo.
Obrigada ao meu benfeitor. Que o nosso amigo vento leve para bem longe esta angústia.

Sinto-me só e vazia, como sempre por culpa minha, mas os fins dão lugar a recomeços.






domingo, 22 de setembro de 2013

Tempo de hibernar

 
 



Mal começou, eu sei, mas já lhe sinto a presença. Ando mais calada, a olhar mais para dentro e dou por mim a fazer um balanço do que tem sido este ano. Intensifica-se a saudade e a lágrima fácil.
Não me posso queixar, nem quero. Até aqui tive um ano fantástico com muitos "presentes" da vida. É tempo também de separar o trigo do joio, de limpar o velho e preparar o novo sem resistência. Renovar a esperança apesar dos silêncios. Abraçar a calma, observar e viver o que realmente importa.
Tudo ocupará o seu devido lugar. Como sempre.







sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Momentos




No último dia de férias, resolvi sair da casa e passear pelo pinhal circundante. Já estava com a neura do fim e apetecia-me estar sozinha. Pensar, despedir-me...
Encontrei uma paisagem sofrida e triste mas bela. E afinal não estava sozinha. O meu pastou querido foi comigo.





















sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Foi eterno enquanto durou



Se tanto me dói que as coisas passem




 

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem
 
Sophia de Mello Breyner
 
 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Mais um dia debaixo do sol

 
 



Aqui ando, sem muito para contar, entre as noites mal dormidas  a ver se respira, a estar atenta a ruídos estranhos na noite.
A brincadeira já se repetiu e eu tinha ido a pilates. Uma hora, apenas uma hora.
Esta semana já não fui.

Sinto-me com uma calma estranha, uma anestesia boa. A força que preciso para levar a água ao moinho.

Estamos vivos e é o que importa.




quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Viagem com eles



 


Não tenho cemitérios físicos para visitar, mas no entanto já fiz uma longa viagem interior desde Moçambique. até às Azenhas do Mar. Desde a minha avó paterna, até aos avôs que não conheci. Aos meus bichos, amigos, familiares e amigos.

Tenho andado raivosa, desencantada e céptica.
Na quinta feira passada, antes de adormecer pedi para sonhar com o meu pai, pedi para matar saudades, por algum conforto. Acordei madrugada fora com a minha mãe caída nas escadas, num cenário de terror que não consigo esquecer. Pareceu-me morta. Pontos na cabeça, uma costela partida e muitos hematomas.
Senti-me traida e abandonada. Zanguei-me com os Deuses, com o meu pai, comigo e com os meus remorsos. Senti que tudo é uma grande e cruel mentira, não me falem de amor e afins, que não quero ouvir.

Enquanto viajei hoje no tempo, fui comprar um banco para a banheira para tornar mais fácil e confortável o banho dela. Preciso de cuidar dos vivos. Preciso de forças, preciso da fé que me abandona.

Isto também há-de passar.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Agradecer




Nas várias fases adversas da minha vida, estão sempre presentes pessoas maravilhosas, anjos desconhecidos que me deixam marcas na alma e histórias para contar, momentos inesquecíveis.
Percebo que ficam ao meu lado incondicionalmente. Que me amam. Que estão sempre lá. Claro que não são todos, os vai e vem não contam.

Portanto e porque às vezes estou azeda e me "esqueço" hoje agradeço:
Pela saúde
Pela família
Pelos amigos
Pelos momentos
Pela natureza
Pela generosidade da vida

Sei que melhores dias virão.



sábado, 16 de junho de 2012

Cinderela Man




Não vi o filme quando saíu, nem sei bem porquê, mas hoje passou na televisão e fiquei rendida.
Várias coisas mexeram dentro de mim. Sobretudo a admiração por todos aqueles que lutam sem parar, com garra e convicção pela sobrevivência com dignidade.

Inevitávelmente pensei no meu avô materno e percebi porque não o conheci neste mundo.
Alentejano, fugiu de casa aos 12 anos, fez-se à vida como empregado numa mercearia a fazer entregas ao domicílio. Mais tarde, aos 17 anos foi como voluntário para o exército (cavalaria) e simultaneamente aprendeu o ofício de marcenaria/carpintaria. Quando da implantação da república, insurgiu-se, foi preso e acabou a história como militar.
Com as voltas da vida e depois de se render aos encantos da minha avó 12 anos mais nova que ele (um amor de estórias de encantar), foi um marido e pai dedicado de 7 filhos, que teve de ver irem viver com  familiares mais abastados, para que não passassem fome e, porque apesar de tudo, era pior vê-los a trabalhar no campo de sol a sol com 7 ou 9 anos. A sardinha para 6 não é um mito. A sopa era feita com água e ervas do campo (cardos, saramagos, parecidos com grelos).

Talvez por isso tenha partido tão cedo (58 anos) vencido pelos desgostos  (a saudade mata devagarinho) e cansaço. Não lhe foi concedido tempo para ser plenemente feliz que as adversidades eram muitas.
Nunca foi esquecido, nem lembrado levianamente. A minha avó, que muitos anos depois sofreu uma trombose e perdeu a fala e a memória, quando conseguiu recuperar algumas faculdades, falava dele com se tudo tivesse sido ontem, com muito amor, brilho nos olhos e lágrimas de saudade.
Os filhos falam dele como sendo o grande exemplo a seguir e o grande amor das suas vidas.
A minha mãe conta, que quando ele faleceu a coroa de flores apanhadas no campo, foi feita por ela e pela minha madrinha. E que enquanto teciam, choravam em silêncio.

Não era boxeur, era marceneiro/carpinteiro o meu avô. Mas lutou como um guerreiro.

O projecto de reconstrucção da igreja de Alcoentre é dele. Estava a escavar a abóboda quando partiu.