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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A minha avó Tucha tinha uma trança


 





Há momentos de mãe e filha, daqueles mesmo bons, em que o tempo pára, a comunhão é total, o carinho transborda. Para compensar as arrelias diria eu, que de vez em quando ando esquerda. As mãos dela têm magia, aquele toque terapêutico desde sempre.
Senti-me mais filha que mãe neste caso e fui recordando quando lhe punha os elásticos e as fitas. Quando a penteava e pintava nos carnavais e ela muito pequenina e muito quietinha.
Viajei até às memórias da minha avó Tucha, que tinha uma trança que fazia à noite como um ritual e  eu adorava observar. Tirava os ganchos do carrapito, penteava muitas vezes e fazia a trança com destreza. Era linda aquela trança e sempre quis ter uma. A minha avó cheirava a alfazema. Dos saquinhos das gavetas e contava-me estórias de encantar. Era doce a minha avó.
Lembrei-me desses poucos momentos com ela, de quem me foi curta a companhia e que eu amava.

É o ciclo da vida.



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