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terça-feira, 31 de julho de 2012

A verdade é que fomos





A verdade é que fomos
feitos do mesmo sangue
violento e humilde

A verdade é que temos
ambos a graça de compreender
todos os homens e todas as estrelas

A verdade é que Deus
nos ensinou
que este é o tempo da razão ardente.

Deus hoje deu-me um pouco
do que toda a vida lhe pedi
foi esta calma e simples aceitação
de que é preciso que estejas
longe de mim
para que amando eu possa conservar
o meu coração puro.

As ruas hoje pareciam mais largas
e mais claras

As casas e as pessoas
pareciam diferentes

Foi só o tempo de pedir a Deus
que prolongasse o generoso engano.

Tu ensinaste-me as palavras simples
as palavras belas
as palavras justas

E fizeste com que eu já não saiba
falar de outra maneira.

O amor substitui
o Sol — que tudo ilumina.

Sonhar contigo é quase como
saber que existo para além de mim.

Se basta que de mim te lembres
para que o sono facilmente venha
porque não hás-de dar-me amor a paz
com que o meu coração de há tanto tempo sonha

Vês como é tão simples
ter o coração
tão perto da terra
e os olhos nos olhos
e a alma tão perto
da tua alma

Por que será
que quanto mais repartimos
o coração
maior e mais nosso ele fica?


Raúl de Carvalho, in “Obras de Raul de Carvalho”


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Vou ler que isto passa





Por estes lados ando em maré baixa. Entre outras coisas que me tiram o sono, arranjei uma tendinite num pé, dores lancinantes e uma semana de pé no ar. Entre a cama e o sofá, já não tenho posição, para além de estar a gastar o nome à minha filha, que coitada, já sopra pelos cantos.

Tenho de gramar com os noticiários todos, ou não tivesse uma mãe com tendências profundas para a desgraça o que me deixa num desespero quase pânico em relação ao futuro (mas qual?)...

Ainda, perguntar a pessoas se estão bem assim como respectivos familiares supostamente doentes e não obter resposta alguma. Pois....ainda não perceberam como funciono. A partir de agora que caia o Carmo e a Trindade a ver se eu me ralo.

Estou desejosa de sair daqui.




domingo, 22 de julho de 2012

Aos quatro anos foi assim





Não era dia de ficar em casa. Impensável. Assim que dissesse:
- Tenho saudades do pai...
- Então eu, nem se fala!
Como se fosse possível medir a dor, a intensidade dela. Como se nas minhas veias não corresse o sangue do meu pai, do amor da minha vida.

Sendo assim, tinha planeado que sózinha ou acompanhada estaria comigo e com ele num dia só nosso. Queria ver a pomba branca que me costuma aparecer do nada neste dia. Olhar o céu, ver as andorinhas, ver figuras nas nuvens que inventaria sermos nós em situações felizes. A rirmos juntos de coisas parvas, de nós próprios numa cumplicidade inigualável.

Acabei numa piscina municipal com a cara metade. Livro na bagagem, muitas árvores, águinha e tal.
Mau mesmo, foi a fauna do costume. Gritaria, toalhas amontoadas, farnéis imensos e por aí fora.
Bem, não te enerves, não vale a pena. Não é dia.

À hora de almoço, uma saladinha. Hummm, vai-me saber bem.
Não, nada bem. A alaface estava cozida com horas de tempero. O tomate mole e quente. Blhec!!
Vai-me salvar o melão...errr, também não.
Café??? Si, solo! Horrorrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!

Atrás dos meus óculos escuros um tom antes do apropriado para a neve (ou não posso conduzir) comecei a observar as pessoas à minha volta. Eis senão quando me deparo com um Adónis. Lindo, loiro (não sou fã, prefiro morenos) olhos e tez claros, cabelo pelos ombros. Agradável à vista, por fim qualquer coisinha.
O pior foi quando começou a comer. Com os dentes da frente tipo rato com umas bolas ali, às tantas via-se a comida a bailar a querer fugir mas voltava a entrar...e a cereja no topo do bolo foi pegar na unhaca e palitar os dentes. Credo!

Oh pai, eras tu com o teu adorável sarcasmo a querer fazer-me rir?
Conseguiste!

sábado, 14 de julho de 2012

A minha árvore





Era a árvore preferida da minha rua. Esta manhã não estava lá. Mataram-na de vez. Acariciei o tronco decepado rente ao chão e as lágrimas saltaram-me dos olhos. As outras irmãs, pareciam envoltas num silêncio fúnebre e triste. Imaginei as raízes entrelaçadas, num último aconchego de solidariedade.
Perdi mais uma cúmplice.

As avestruzes



Não entendo como é possível que as pessoas tenham paz de espírito aqui ou na China, quando têm problemas e responsabilidades que considero indiáveis. A fuga para a frente é uma forma de egoísmo e cobardia.

Existem por aí avestruzes desta vida que enfiam a cabeça na areia.
Não se esqueçam que deixam o cú de fora.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

terça-feira, 10 de julho de 2012

Agradecer




Nas várias fases adversas da minha vida, estão sempre presentes pessoas maravilhosas, anjos desconhecidos que me deixam marcas na alma e histórias para contar, momentos inesquecíveis.
Percebo que ficam ao meu lado incondicionalmente. Que me amam. Que estão sempre lá. Claro que não são todos, os vai e vem não contam.

Portanto e porque às vezes estou azeda e me "esqueço" hoje agradeço:
Pela saúde
Pela família
Pelos amigos
Pelos momentos
Pela natureza
Pela generosidade da vida

Sei que melhores dias virão.