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domingo, 22 de julho de 2012

Aos quatro anos foi assim





Não era dia de ficar em casa. Impensável. Assim que dissesse:
- Tenho saudades do pai...
- Então eu, nem se fala!
Como se fosse possível medir a dor, a intensidade dela. Como se nas minhas veias não corresse o sangue do meu pai, do amor da minha vida.

Sendo assim, tinha planeado que sózinha ou acompanhada estaria comigo e com ele num dia só nosso. Queria ver a pomba branca que me costuma aparecer do nada neste dia. Olhar o céu, ver as andorinhas, ver figuras nas nuvens que inventaria sermos nós em situações felizes. A rirmos juntos de coisas parvas, de nós próprios numa cumplicidade inigualável.

Acabei numa piscina municipal com a cara metade. Livro na bagagem, muitas árvores, águinha e tal.
Mau mesmo, foi a fauna do costume. Gritaria, toalhas amontoadas, farnéis imensos e por aí fora.
Bem, não te enerves, não vale a pena. Não é dia.

À hora de almoço, uma saladinha. Hummm, vai-me saber bem.
Não, nada bem. A alaface estava cozida com horas de tempero. O tomate mole e quente. Blhec!!
Vai-me salvar o melão...errr, também não.
Café??? Si, solo! Horrorrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!

Atrás dos meus óculos escuros um tom antes do apropriado para a neve (ou não posso conduzir) comecei a observar as pessoas à minha volta. Eis senão quando me deparo com um Adónis. Lindo, loiro (não sou fã, prefiro morenos) olhos e tez claros, cabelo pelos ombros. Agradável à vista, por fim qualquer coisinha.
O pior foi quando começou a comer. Com os dentes da frente tipo rato com umas bolas ali, às tantas via-se a comida a bailar a querer fugir mas voltava a entrar...e a cereja no topo do bolo foi pegar na unhaca e palitar os dentes. Credo!

Oh pai, eras tu com o teu adorável sarcasmo a querer fazer-me rir?
Conseguiste!

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