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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Spa natural

How strange that Nature does not knock, and yet does not intrude! 
 Emily Dickinson, letter to Mrs. J.S. Cooper, 1880

Ontem ao fim do dia o céu estava acastanhado mas luminoso. Um calor insuportável.
Lá fui para casa, fazer jantar e tal e tal e quando acabei sentei-me no sofá a "ver" televisão. Deprimente como sempre.
Vivo muito perto de uma base aérea e o ruído dos aviões é tão familiar que já nem ouço. Mas ontem para além do barulho dos aviões, fazia-se luz (?). Estão a ver, não estão? Eram umas 3 trovoadas monumentais a rasgar o céu.
Saí para o terraço, sentei-me numa cadeirinha e esperei que começasse a chover. O Paulo saiu também, (ainda pensei que me fosse fazer companhia), mas foi só para se despedir.
- "Só se estivesse maluco!"
Ok, não é porque me chamasse doida, já está habituado a esta mulher com gostos estranhos...que nem tenta sequer mudar, aceita e pronto.
E lá fiquei a sentir a chuva grossa, o cheiro da terra, a ventania súbita, o cão ao meu lado, o gato escondido. Soube-me tão bem!

Esta manhã, quando cheguei ao carro, que é cinzento, estava literalmente castanho. Choveu barro vindo do norte de África trazido pelo vento. Partículas de outras paragens. Memórias de outros sítios.
E pensei:
Andam as "tias" a fazer máscaras de argila e mais não sei o quê, tá a ver? quando é tão fácil e barato um tratamento de pele.
Basta sair à rua sem medo.

Realmente a água do banho pareceu-me exageradamente suja.


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