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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

As nossas mentiras

 
 
 


Chegamos a uma idade em que já não sonhamos ser outro, em que nos temos de conformar e confrontar com aquilo que somos e consequentemente rendemos-nos, num quase desistir. Como se tivéssemos esgotado o tempo.
Um processo directamente ligado à mentira pura e dura, na vã esperança de nos irmos alimentando de alento, todos os dias em todas as idades a cada ocasião.
Injectam-nos de condicionalismos e expectativas, de promessas que tudo correrá bem se fizermos por isso. Hipotecamos a vida.
Mentem-nos por amor, por conveniência, por educação, por piedade, por maldade, por medo, por vaidade...e acreditamos!! Pior ainda, aprendemos a mentir e a mentir-nos.
Olho-me ao espelho. Vejo uma mulher madura, com rugas cabelos brancos, pálpebras descaídas e olhar mortiço. Não encontro a menina. Aquela a quem mentiram. Só vejo aquela que se mentiu e acreditou. Que se traiu  foi desleal e chegou aqui cheia de ilusões e com sonhos moribundos.
Já não posso ser outra, Sou esta, a mentira faz cada vez menos sentido, apazigua os medos cada vez menos. Já não vale a pena, já não me apetece e já não acredito.
É isto. Dezembro deixa-me assim, por todos os motivos e mais um. Se esperavam um post bonitinho, lamento muito estragar-vos o dia e a época natalícia (outra treta) com a minha verdade que dificilmente deixará de me atormentar. Dificilmente acreditarei noutro caminho que não seja o da morte. É para lá que vamos todos, não me mintam mais.
Mas prometo que entretanto rirei, farei rir, amarei e serei amada.
Mesmo que não seja verdade.

 (  Há um ruido na minha cabeça, no meu peito... lá muito ao longe....será que ainda ouço um grito calado da minha menina?...)




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