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domingo, 2 de setembro de 2012

Impotência esta...


 

Geralmente não fico indiferente aos pedintes. Sinto-me envergonhada, humilhada sem saber que fazer. Não sei se é empatia, respeito, medo de um dia estar naquele lugar. Acabo sempre por dar e nem precisam de me contar uma história. Às vezes apetece-me sentar, conversar, perceber, solucionar.
Em casa, raramente abro a porta a não ser que tenha alguma coisa combinada. Não abro mesmo. E a minha mãe também não.
Há dias, aconteceu ao meu marido. Estava na garagem vi-o entrar em casa a correr para vir buscar moedas. Era um rapaz a vender meias da fábrica que o tinha despedido e o resultado foi ficarmos com meias até sermos grandes.
Ontem estava a fazer o jantar, tocou a campaínha a Coelha foi, abriu e chamou-me.
Era um senhor a rondar os 35 anos e foi muito claro. Qualquer coisa. Podia ser desde roupa de bébé, roupa de cama, comida, até artigos de higiene. Lá foi dizendo que estava desempregado e eu que tenho sempre coisas para dizer, só lhe pedi que esperasse e voltei com leite e arroz que tinha ali à mão (mais uma falta de ar e estômago apertado)
Agradeceu educadamente e foi-se embora. Fiquei a remoer na roupa que tinha deixado no contentor adequado há meia dúzia de dias. O meu marido engordou e não lhe serviam os pijamas, os polos, enfim. Fiquei muito calada durante muito tempo, fui buscar outros exemplos, outras situações.
Sinto-me impotente, não gosto do mundo.
Não consigo deixar de pensar no assunto. Não consigo!


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