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domingo, 10 de novembro de 2013

Eu até queria....

 
 


Às vezes e à falta do mar, apetece-me sair sozinha ver montras, coisas bonitas, sonhar.
Ontem foi um desses dias e fui até ao ECI que é o que tenho mais perto para ir a pé. Fui surpreendida ao ver que já estão ao dispor todas as coisas de Natal. As árvores, os berloques, os presépios, as caixas de música, os bonecos de neve...Como sempre, fico presa a um encantamento que não sei explicar. Passo horas a olhar para tudo envolta em sentimentos bons, em recordações. Transporto-me para o universo mágico, para o Amor que estas datas deveriam ter.
Decidi que este Natal não me ía sentir infeliz, que tenho de me sentir grata por tudo, por todo o que vivi e por aqueles que ainda me acompanham.

De volta a casa foi curto o sentimento para dar lugar à revolta, impotência e tristeza profundas que me tiraram o sono.
Notícias de uma amiga /irmã que está a passar por sérias dificuldades, numa espiral de decadência e perda de dignidade. Mantem-se a integridade, mas sabem os Deuses a que preço. Rimo-nos, mas sabem os Deuses a tristeza que esses risos ocultam, dissimulando tanta coisa sufocada.
Penso nos que poderiam ajudar e não querem, aqueles que um dia apregoaram sentimentos e amizade, mas que o outono e aos seus primeiros ventos fizeram cair as folhas e já só pensam na chuva e no próprio umbigo. Só porque a vida lhe deu uma chance, ou duas, ou algumas...e ainda assim se queixam de barriga cheia. Egoísmo puro. Culpa de mal entendidos, e perigoso quando não se percebe que nascemos todos debaixo do sol e que o hoje pode mudar num abrir e fechar de olhos para um amanhã menos confortável e mais incerto. Que somos todos vulneráveis e que as contrariedades da vida existem sem fazer escolhas.
Será para mim a primeira vez em muitos anos, que não posso resolver ou apaziguar necessidades. Em que também eu, fui atingida, não de morte física, mas moribunda de recursos.
Estou profundamente ferida. Profundamente triste.
Já só tenho palavras, abraços e beijos. Não pagam contas nem dão de comer a ninguém. Nem o presente de Natal ou outro, noutro dia qualquer, onde se vê o olhar e sorriso de uma criança.
Nestas datas tudo fica à flor da pele. Tudo toma proporções que me deixam de rastos.

Só posso dizer que estou aqui. E que apesar de custar horrores temos de ter fé e esperança no futuro.
Que nada é para sempre e que isto também vai passar. Tem de ser.
Que os Deuses vos abençoem!







4 comentários:

Coisas de Feltro disse...

Até fiquei com um nó no estomago...

Luísa Lopes disse...

Muitos nós...

Ana Lopes disse...

Olha, chorei... mas um choro bom, de te sentir amorosamente cumplice e extraordinariamente perto, cá dentro mesmo, parte de mim e eu de ti. E fizeste-me lembrar aquela frase que diz que amigos são uma única alma que habita dois corpos (acho que é do "tio" Aristóteles).
Amo-te!

Luísa Lopes disse...

Amo-te!