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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Será por "isso" que não me habituo a" isto"?


 



"Nas ruas calcetadas de Granada, sob as majestosas torres do Alhambra, ecoam música e segredos. Sónia Cameron não sabe nada sobre o passado chocante da cidade; ela está lá para dançar. Mas num café sossegado, uma conversa casual e uma colecção intrigante de fotografias antigas despertam a sua atenção para a história extraordinária da devastadora Guerra Civil Espanhola.
Setenta anos antes, o café era a casa da unida família Ramirez. Em 1936, um golpe militar liderado por Franco destrói a frágil paz do país, e no coração de Granada a família testemunha as maiores atrocidades do conflito. Divididos pela política e pela tragédia, todos têm de tomar uma posição, travando uma batalha pessoal enquanto a Espanha se autodestrói."


Resisti 2 anos a este livro tendo começado 4 vezes a lê-lo sem sucesso. Nem sabia bem porquê.
Finalmente rendi-me à insistência e fiquei siderada. Confesso que de Espanha sei muito pouco, sei da história do nosso curriculum escolar e nunca nutri muita simpatia pelo assunto. Por aqui, ninguém fala dessa história recente, embora muitas das pessoas que conheço tenham tido um familiar que combateu nesta guerra horrenda.
Devo dizer que desde dor de estômago a vómitos e lágrimas, aconteceu-me de tudo Devo dizer que não teria visitado sítios como o Vale dos Caídos ( onde me senti mal e chorei muito) se tivesse lido  este livro antes.
Tenho vontade de ler e saber mais. Mas ao mesmo tempo sinto repulsa. Essa má energia ficou gravada no solo.
Foi o holocausto espanhol. Abominável!





segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sou uma "de Oliveira Lopes" com muito orgulho


Pretensiosismo e possidoneira cada qual toma a que quer. Como tenho vindo a dizer, estou velha para este mundo, ou sou anti social sendo que fazer fretes não é o que o médico me receitou, ou é só mesmo mau feitio.
Pois que alguém da família do meu companheiro de vida resolveu juntar um ramo da família, duma árvore "ginecológica" daquelas com nome pomposo mas que começaram por ser ilegítimos e, deram-se ao trabalho de trazer gente de todo o lado, desde o Brasil à Suécia, numa confraternização com ares de casamento pimba. Dos mais chegados aos que nunca se viram houve de tudo, sendo que mesmo os mais chegados se encontram uma vez em cada 10 anos. Desde as lantejoulas à naftalina foi tudo muito agradável.
Ora eu que até fui "banida" à nascença na minha aparição de pára quedas neste mundo dos bem, eu que sim, sou da plebe e nada tenho a ver com o assunto, fui arrastada para este evento maravilhoso (NOT), assim como os meus enteados que ao ver passar os slides dos tetravós de há 2 séculos iam fazendo comentários de me partir a rir ( e que quem me conhece sabe da minha gargalhada solta, estridente e verdadeira) o que pode ter chocado as personalidades brasonadas. Ele era brinde e mais brinde, lembrança atrás de lembracinha, palavras de dar graxa ao cágado, bolo com brasão, enquanto que em voz baixa se ía perguntando: Mas quem é aquele? E a explicação perdia-se logo num emaranhado que quem casou com quem e depois morreu de um ataque de caspa enquanto atravessava a rua. Assuntos para desligar os motores e seguir em piloto automático, com uma bela garrafa de tintol por companhia e o sorriso 33 estampado no rosto.

Então eu, que bem contados tenho 7 parentes e se não souber de 4 durmo tranquilíssima, pergunto-me:
Que fiz para merecer isto?

Fugi assim que pude e fui fotografar o Outono que sempre é cá dos meus.
E depois fui depressa aos abraços, beijos e mimos da família que a vida me deu e que eu escolhi. Isso sim, doces momentos.





 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

10 anos depois (o exílio)


 
 


Fez 10 anos em Agosto passado que me vi entalada nas decisões e enlatada num avião a caminho de Espanha. Assim à traição, num matas ou morres. Um nó no estômago, na garganta e na vida, quando pensava que já nada de tão diferente me voltasse a acontecer. Tinha as memórias de África, das mudanças bruscas da vida nómada. Dos amigos e amores perdidos no tempo. Desta feita com uma filha atrás de mim, para o bem e para o mal, a seguir as minhas pegadas antes percorridas atrás dos meus pais.
Barcelona acolheu-me como soube. Tinha mar à porta de casa, trabalho, fiz amigos e consegui ter momentos felizes.
Há 5 anos, e para manter a tradição, a sina ou lá o que for, mais uma mudança à vista. Ficámos instalados numa cidade na comunidade de Madrid a 30 quilómetros. A história do "estranha-se e depois entranha-se" não tem sido nada assim. Não tenho mar, nem trabalho. Se bem que este último ano consigo gostar mais de cá estar. Vejo beleza e paz. E solidão.
Depois de o meu pai partir em 2008, a minha mãe veio viver comigo.  Tive trabalho durante uns anos, não foi difícil mexer-me, mas agora não tenho. Tenho uma mãe a envelhecer, uma filha a ganhar asas e um marido ausente a maior parte do tempo. E passei dos 50, ou seja, morri para o mundo laboral.
Fiz poucos amigos, não me fascinam as pessoas. Afinal, na hora da verdade é a solidão que impera. A ninguém importa nada a não ser o próprio umbigo e as palavras cheias de significado transformam-se em balelas vazias de acção.
Pergunto-me que raio faço aqui, que tenho de aprender e chego sempre à conclusão que é isso mesmo, enfrentar e aceitar o meu medo da solidão e abandono.
Afinal é assim. Mesmo tendo alguém ao lado ninguém sente o que sinto.

O último acontecimento foi ter de levar a minha mãe para o hospital às 4 da manhã onde ficou internada 48 horas. Lá estava eu, sozinha a ter de entrar com ela para todos os exames que fez, porque não fala castelhano, está surda e quase cega. A minha filha esperava lá fora com o namorado, o marido ausente e eu...comigo.
Felizmente a minha relação com a velhota melhorou muito, porque melhorei eu na compaixão e paciência. Talvez se esteja a fazer a transformação antes do fim, para sanar as feridas.
Entenda-se que gosto de viver, sou alegre por natureza, atenta aos outros, não tenho nenhuma doença grave e sinto-me abençoada. Mas ninguém se sente perfeito e feliz o tempo todo. É treta.
Preciso de forças, porque a vontade às vezes é ficar só de uma vez, como quando se arranca uma árvore pela raíz.


E assim vai o meu mundo, onde está tudo no seu lugar. Crescendo e aprendendo.







segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A minha censura

 
 



Ando cheia de silêncios. A tentar contê-los, engoli-los e esperar que se desvaneçam por falta de importância.
Se abrir a porta vai ser pior.
Aguardemos.




sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A minha avó Tucha tinha uma trança


 





Há momentos de mãe e filha, daqueles mesmo bons, em que o tempo pára, a comunhão é total, o carinho transborda. Para compensar as arrelias diria eu, que de vez em quando ando esquerda. As mãos dela têm magia, aquele toque terapêutico desde sempre.
Senti-me mais filha que mãe neste caso e fui recordando quando lhe punha os elásticos e as fitas. Quando a penteava e pintava nos carnavais e ela muito pequenina e muito quietinha.
Viajei até às memórias da minha avó Tucha, que tinha uma trança que fazia à noite como um ritual e  eu adorava observar. Tirava os ganchos do carrapito, penteava muitas vezes e fazia a trança com destreza. Era linda aquela trança e sempre quis ter uma. A minha avó cheirava a alfazema. Dos saquinhos das gavetas e contava-me estórias de encantar. Era doce a minha avó.
Lembrei-me desses poucos momentos com ela, de quem me foi curta a companhia e que eu amava.

É o ciclo da vida.



quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Tenho a saúde doente

     
 
 
Tenho a saúde doente.

Tenho a barriga nos ombros
e a cabeça no ventre.

Tenho os pulmões nos ouvidos
e o coração está na boca.

Penso com os pés
com as mãos

e no meio da confusão
ando de pernas para o ar.

Tenho a saúde doente

por ser poeta
e ser louca.

(Manuela Amaral, 1934-1995, Portugal
in "Tempo de Passagem, 1991)
 
 
 

sábado, 23 de agosto de 2014

Romarigães

 
 
 
Ilustre casa de Romarigães



Foi uma flashada. No cemitério há uma lápide com o nome do meu pai.
Para além das borboletas brancas ele mostrou-me que está sempre comigo.