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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Foi Natal

Tradição cumprida esta de voltar à terra como bom emigrante, daqueles que podem dar-se a esse luxo, pela proximidade da terra alheia.
Esquecendo a ansiedade, as pressas, blá, blá, blá... foi simplesmente delicioso!
As partilhas, os abraços, o calor de quem se ama, rever amigos 10 anos depois e sentir que foi ontem que os vimos pela última vez.
Não quero esquecer nada, cada sorriso, cada expressão, os cheiros, as parvoíces...tudo.
Estou mesmo a pensar num Natal em Março, quem sabe?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Outros Natais ( Re-post)

Ando a evitar falar de Natal. Com toda a hipocrisia que se exerce nesta altura, apetece-me cada vez menos.
Deixo-vos o que escrevei o ano passado, já que se mantém o que penso e sinto.



Depois dos natais em Moçambique, que se passavam com a famíla do coração, aquela que escolhemos, os natais da adolescência ficarão para sempre na memória e são os que me fazem sentir que amar vale a pena.

Sinto a magia nas ruas, preparo a casa a condizer com a época e fico cheia de vazio. Longe vai o tempo em que era a festa da família, dos reencontros, dos afectos e até das discussões causadas pelos mais "ranhosos"( sim, que em todas as famílias há um ou dois).
Os meus pais começavam muito cedo a juntar os tostões para a célebre viagem, (andámos sempre longe) para o meu presente ( umas calças de ganga compradas na 1ª de Dezembro em Lisboa ) e para ajudar nos acepipes da consoada.
Àquela casa à beira mar, onde a maresia se pegava às janelas, íamos chegando. E cabiamos muitos. Irmãos, cunhados, sobrinhos, netos. Dormíamos onde fosse preciso, onde coubesse mais um colchão improvisado à última hora. Era divertido, acolhedor e ninguém se queixava.
Metíamo-nos no carro e fazíamos muitas horas pela Nacional 1. Parávamos para o farnel (pataniscas de bacalhau e café) e afins. Aprendia como se chamavam as árvores, que plantas tinham flores amarelas, os nomes dos pássaros. Lembro-me do presépio de Alenquer ali mesmo a beijar a estrada e, que o meu pai, não deixava que eu perdesse porque me acordava caso eu tivesse adormecido.
A casa e respectivos anfitriões, era sobretudo farta em sorrisos, abraços e mimos. Eram os melhores presentes.
Começava a azáfama, as roupas saídas dos armários a cheirar a alfazema. Os fritos...hummmm o forno aceso...Tudo guardadinho na memória olfactiva.
Desde a partida da avó Tucha (Gertrudes) foi o princípio do fim desses natais.Ter crescido, também. E depois a passo curto foram partindo outros. Fomos tentando manter algum desse espírito e alguma dessa magia que acabou de vez quando os donos daquela casa também  se foram. Por muito que nos vejamos (os que sobram) e muito pouco pela parte que me toca por estar longe, nada será como foi um dia.
Cada vez mais me apetece ir para a cama às 22h00. Esquecer-me que naquele dia e há muito tempo fui feliz. Mandar tudo à fava.
Faltam-me o Fernando, a tia Lourdes, o Jorge, a avó Tucha, o padrinho Pedro, a madrinha Zézinha (estes dois os donos da casa) o meu pai...
Ouvi dizer que celebram o Natal juntos e que esperam por nós com a mesa posta. Quando esse Natal chegar só vou querer beijos, abraços e mimos.
Por enquanto continuo a viajar rumo a Portugal.
Dissolvo as minhas lágrimas naquele mar de saudade, no sítio daquela casa onde agora moram as memórias.

Entretanto, tudo mudou e para pior. Já falta mais um, o tio Raúl. Além disso , há pessoas muitos más à minha volta. Pessoas prepotentes, falsas, que se alegram com as tristezas dos outros,  que passam impunes nesta vida e que infelizmente não posso evitar.
Datas que saltaria com todo o prazer.

Feliz Natal para todos!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Fumeiro!!


Ando sem inspiração, nem paciência. Não por falta de assunto, mas já há tantos "experts" a opinar com propriedade (ou nem por isso), que diga eu o que disser não acrescenta nada de bom, mau ou assim-assim ao mundo.


Portanto...cá estou  a encher chouriços!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A minha terra

Sou alfacinha, ausente da minha terra natal agora e, quase sempre. A vida levou-me para outras paragens, uma e outra vez, muitas vezes.
Fui feliz em quase todos os sítios por onde passei e o quase é porque não morro de amores por esta terra onde me encontro. Esta cidade, estas gentes. Vivo cada vez mais entre as minhas paredes, com as minhas memórias, fingindo ter uma vida. Mas é o que tenho, portanto vou fazendo o que posso, sem me poder queixar.
Neste momento, tenho uma amiga querida a bordo de um avião a caminho de Maputo. Tenho dor de barriga, lágrimas nos olhos, euforia tonta como se fosse minha a viagem, como se estivesse sentada naquele avião ao lado dela.
Preciso de lá voltar, na companhia certa, aos meus sítios, longe de resorts de ilhas paradisíacas. Ilha, Nacala, Nampula... Algum dia será!
Não nasci naquele país, mas foi onde fui verdadeira e intensamente feliz. De onde me lembro de cada momento, de cada cheiro de cada nascer do sol. Talvez porque na infância a ingenuidade e inocência me permitiram toda essa magia. Ou porque sim e pronto. África é magia!
Não vou falar de politiquices. Não vale a pena. Já desisti que me entendam. Já fui, sou, uma retornada. Sofrimento a mais para muitos como eu, mas achando sempre que todos os povos têm direito à sua autonomia, cultura, etc.
Agora só estou desejosa que a minha amiga dê notícias e diga:

Cheguei!! Cheira a TERRA.




sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Porque gosto dele que se farta

"Nós somos casas muito grandes, muito compridas. É como se morássemos apenas num quarto ou dois. Às vezes, por medo ou cegueira, não abrimos as nossas portas."


Aqui há dias, estava eu já esquecida, quando recebo uma mensagem de uma amiga virtual querida de morrer, que sabendo o quanto eu gosto dele me lembrou que estava a dar uma entrevista na TV. Bem que a entrevista podia ter sido feita por outra pessoa, mas vá.
Corri para o primeiro bocado de papel que encontrei e fui apontando.

A propósito de uma foto sua de infância.
"Quando olho para esta foto o menino pergunta-me: O que fizeste da tua vida?"
"Nascemos sozinhos...morremos sozinhos. Ninguém se pode pôr no nosso lugar. Só posso perguntar: que faria se estivesse no meu lugar?"
"A partilha diminui o infortúnio."
"Não gosto de substantivos abstractos: Por exemplo, fala-se tanto de humanidade e depois não se gosta dos homens. Palavras vazias."
"Os bons livros são os que falam de nós..."
"Não há ateus"
"A minha relação com Deus é muito conflituosa"
"Não faço planos para escrever, a minha mão anda sozinha..quem a faz andar?"
"Quando estive doente, sentia que estava grávido da morte."
"Quem aposta no futuro, já se resignou a perder o presente."

Obrigada Aninhas.