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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Um pouco de liberdade


Vou ter um fim de semana prolongado. E espero poder disfrutar de um pouco desta liberdade que eu amo e preciso.

sábado, 3 de setembro de 2011

As Lolas e os Manolos

Bem, já deviam estar a estranhar eu ainda não ter falado dos nuestros hermanos. E falar menos bem, claro.
Se por um lado não me apetece acumular mau karma, por outro vivo aqui e quando saio à rua esbarro-me com eles inevitávelmente. Corro ainda o risco de perder os meus onze preciosos seguidores.
Que se lixe, não aguento mais. Quem me quer já não me deixa e se deixar não tem vergonha nenhuma.

Pensava eu aqui há uns anitos que essa mania que geralmente temos em relação aos espanhóis se prendia com razões históricas, claro está, mas que já não fazia sentido nenhum nos dias que correm. Afinal somos todos europeus, aqui mesmo ao lado algo em comum devemos ter, não pode ser tanto assim... eu cheia de boa vontade e espírito aberto.
Nada disso, são tudo aquilo que aprendemos na escola e mais um bocadinho. Prepotentes, egocentricos, mal educados e por aí fora. E os espanhóis não existem. Existem os bascos, os andaluzes, os catalães, os galegos. A ideia da Espanha da senhora de vestido às bolinhas a bater o pé e da tourada...esqueçam. Se tenho amigos? Claro! Galegos, catalães e bascos.

Sei que sou do país do fado, da saudade, que poucos sabem onde fica (ali numa península...Espanha? grrrrrr) que temos muitos Manéis e Marias elas de barba e eles com a camisa à não respira aberta até ao umbigo de cabelo seboso e unhaca do dedo mindinho para limpar o ouvido e afins, a bela da sandália com a meia à pé de gesso, etc....
Qual não é o meu espanto quando saio à rua e me deparo com os Manolos e as Lolas, assim parecidos mas em muitooooo mau. É que é possível, espantem!!

Gosto de ir à igreja quando supostamente não está lá ninguém e depois do almoço apanhei o autocarro e fui ao centro deixar umas flores à Nossa senhora de Fátima ( pronto, portuguesices), numa igreja
bem bonita por sinal.
Então não é que ía haver casório? Caraças, a santa ainda por cima não tem altar, tem um nicho altíssimo e o padre olhava para mim, que me apresentei de calças de ganga, t-shirt, cabelo num rabo de cavalo, estão a ver? É fim de semana, pá, e não sou convidada.
- E agora? Como deixo as flores?
Esperei um bocado, (ouvia o burburinho dos convidados a chegar, kanervos) mas  tive a minha oportunidade! Quando o padre se virou para ligar o som, marcha nupcial e tal, atirei com o ramo que fico lá felizmente, a santa não caíu e eu saí de fininho.
A figura triste do dia cumprida e a promessa também.
À saída cruzei-me com eles e elas, eles de fato cinzento escuro e sapatinho de matar barata, beije (????) elas atafulhadas de jóias, penachos, maquilhagem a mais e aquele perfume barato que faz dor de cabeça e vómitos.


Respirei fundo, está uma tarde que ameaça chuva, agradável, fui à praça Cervantes ver os roseirais e reclamar na Vodafone que a carga da minha bateria só dura um dia, enfim, coisas que não há tempo para fazer durante a semana. Bebi um café e quando já me venho embora, mais calminha e relaxada deparo-me com isto:



A bela da mini meia de lycra com a etiqueta para fora!!!

Para castigo por ser tão cabra, perdi o autocarro....  aumfgsddefgauxbehnxd!!!!!!!!!!!!!



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Setembro, gosto de ti.



Sempre achei Setembro um mês mágico. Gosto dos primeiros pingos de chuva, dos cheiros e das recordações que me invadem.
E tanto é bom passear sem os calores tórridos do verão, como começar a ficar num ambiente mais intimista, esperando o outono.
Chá, bolinhos e um livro.
Delícia!!

(A culpa disto é do MF que está de férias e vai cozinhar. Já sinto aqui o cheiro...)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O pôr do sol da vida



Falar da minha mãe é quase tão tabú para mim como dizer-lhe que a amo abertamente. Foi sempre uma torre inalcansável, uma força bruta da natureza, uma mulher sem infância e juventude que lhe foram roubadas pelas condicionantes da vida. O amor que recebeu foi pouco (não por falta dos pais, mas por estar sempre longe deles) logo, ama como sabe, como todos nós. Como aprendeu, com uma carapaça de ferro.
Procurar colo da minha mãe é coisa que me custa. Beijos e abraços, também. Embora a tenha a viver comigo há sempre um fosso que não sei explicar.
E é quando recorro a  memórias de outros tempos, aqueles em que dependi dela, em que me ajudou a crescer, moldou a minha personalidade e me mostrou que me ama.

Em tempos muito felizes

- O casaco que me punha pelas costas
- Levar-me às costas (é baixinha) do carro para casa quando havía reuniões de amigos que se prolongavam até tarde e eu adormecia.
- Os beijos curtos e rápidos
- Quando me levava ao médico com uma expressão indecifrável.
- Quando tive uma hepatite grave e não me deixou ficar internada cumprindo à risca todas as recomendações médicas
- As histórias para dormir a sesta, em que adormecia ela primeiro de exaustão
- Quando me levou para a praia acampar 15 dias e me ensinou a ler e escrever (iam começar as aulas e eu estava atrasada em relação aos outros meninos. Impensável. Comprometeu-se com a professora e cumpriu)
- Nunca me deixar aos cuidados de ninguém em nenhuma circunstância
(recusou-se a ser internada duas vezes em Moçambique)
-As longas noites em que o meu pai estava ausente e não havia televisão, a ouvir ópera e a aprender a história.

Em tempos menos felizes

- Quando punha a mesa em cima de uma máquina de costura (ferramenta de trabalho e ganha pão) que se fechava para esse fim, não havia outra, de modo que se improvisava
- Quando cozinhava num fogão de campismo e o serviço de jantar eram três pratos de plástico, três copos, três colheres, três garfos e três facas
- Quando passava a ferro com ferro a carvão, por não termos luz. Ferro que mais tarde o meu pai pintou e ficou como objecto decorativo e dono de memórias.
- Quando ouvíamos os "Parodiantes de Lisboa" num transistor encarnado e ríamos muito.
- Quando me dava os últimos 20 escudos para ir e voltar da escola. O troco chegava a casa intacto.
- Quando não me deixou passar fome, mas só bebia leite e comia bolachas de água e sal
- Quando enfrentou o meu pai e foi sózinha minha encarregada de educação
- Quando me comprava as calças de ganga anuais numa loja da 1º de Dezembro (nas idas a Lisboa no Natal) e às vezes uns brincos nos "Porfírios"
- Quando pensámos que o meu pai estava morto na guerra civil de Angola por falta de notícias, mas não confessávamos as suspeitas uma à outra, embora chorássemos baixinho à noite na mesma cama.
- Quando se recusava a copiar modelos dos meus vestidos para as minhas amigas e dizia orgulhosa:  "Desculpe, mas é um modelo exclusivo para a minha filha." Os tecidos eram comprados ao quilo nas feiras, mas garanto que eram os vestidos mais lindos do mundo
- Quando me viu vestida de noiva. Saí do provador da "Loja das Noivas" e ví-a tão encarnada que julguei que rebentava. Não chorou de emoção. E não quis fazer-me o vestido (era modista)
- Quando a solução para os problemas e resolução das situações apareciam por intermédio dela. com uma clareza e discernimento únicos.

Tantas outras coisas de uma vida difícil que partilhámos. Mas feliz. Provas superadas e muitas formas de dizer Amo-te.

Agora no fim do caminho, sou eu que me preocupo, que cuido, que dirijo. Papéis invertidos.
Quando esteve no hospital há um mês pela primeira vez e agora quando a acompanho ao médico, tento  lembrar-me de como fazia comigo. Nada de expressões preocupadas, caras tristes.
Sou forte! - penso.
E dou comigo a sentir e perceber no quão diferente é. Também sou mãe e é muito diferente. A esperança que se deposita na cura e prolongamento da vida é agora limitada, com a certeza do fim próximo um dia destes. 
E é vê-la a desistir devagarinho.
É ver a minha torre a abandonar-se às intempéries ...
Ainda assim, temos a sorte de poder estar juntas. Eu de poder ajudá-la, acompanhá-la e zelar por ela. E ela tem-me a mim e à neta por perto.
Afinal, ninguém morre sózinho.

E curioso, há uns dias que me abraça prolongadamente quando chego a casa.





sexta-feira, 26 de agosto de 2011

As mães que amam!



Dizem que o amor de mãe cura todos os males...neste caso, talvez praticando eutanásia. Mantando-os a beijos...



Quanto tempo demorarão a secar as lágrimas de uma criança com fome???

De onde vem a expressão de rendição, total conformismo e aceitação da maldita sorte???

Que raio de destino é este, lento e cruel até ao fim???


Estas mães amam mais que eu.