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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Lembra-te de mim

"

Entrei numa casa fria
De portadas entreabertas
Espretei a ver se te via
As ruas estavam desertas
Os amores já terminados
São ausência, fazem mal
Não me esqueço do recado
Nem de um gesto ocasional
Ao notares que estou mais velho
Passa por mim devagar
Quando / e se te olhares a um espelho
Também tu irás notar
Lembra-te de mim...
Os rostos p´ra quem os viu
Já não são como dantes
Percorro as margens de um rio
Há já séculos, há instantes
Vivo de vagas memórias
Onde te espero encontrar
São derrotas, são vitórias
Quero agora descansar..."

sábado, 2 de julho de 2011

Selo, um presente!



Foi a Loira, minha siamesa que me desafiou.
As regras são:


1. Linkar a pessoa que lhe presenteou com o selinho:
http://anaeavida.blogspot.com/
2. Indicar 6 amigas para repassar o selinho:

Up side down 

A minha estrela maior

Odete Alves

Isabel Vicente

Isabel Alexandra

Ana Sanches da Gama


3. Exibir o selinho no seu blog
O que está acima


4. Avisar as indicadas.
Antes de publicar

5. Responder as perguntinhas:

* O que marcou sua infância que te deixa saudade:

Da minha infância recordo ser feliz.
África! Moçambique, Nampula e Nacala foram a minha casa. Num mundo mágico, recordo mutas coisas.
As viagens nocturnas para fugir ao calor, os pirilampos, o barulhos dos grilos, as queimadas, os campos de sisal e cana de açucar, as tempestades majestosas,o nascer do sol, os macacos na beira da estrada (picada) as praias do Índico, as noites à beira mar  acampados sob uma lua e estrelas sem igual, amigos fiéis.
Os meus cães (Califa, Mascote, Nina Lira e Bitó) o cágado Serafim, os patinhos, o galo Tótó, o cajueiro da casa ao lado inde passei muitas tardes à sombra, a descoberta das joaninhas amarelas e dos camaleões, de comer cana de açucar, castanha de cajú assada nas brasas, aprender a  fugir do feijão macaco.
A casa cheia de amigos com violas, cantigas e sorrisos. Os batuques nocturnos que soavam ao longe. Os cheiros... da terra molhada, das especiarias dos vizinhos indianos, das flores, do mato...
O relógio de presente na terceira classe embrulhado no guardanapo e a bicicleta uns anos mais tarde. Mas sobretudo a cara de prazer do meu pai ao ver a minha alegria. O centro hípico, os jogos de futebol de salão (que eu era menina mas o meu pai levava-me).

Depois as Azenhas do Mar. A casinha em frente às arribas onde tudo era amor e partilha. Os ensinamentos da avó Tucha, apanhar ervas para os coelhos e aprender os nomes, o cheiro dos biscoitos que moldávamos juntas e que carinhosamente chamávamos " os cagalhotos da avó", o café feito na cafeteira ao lume, o pão com manteiga. 
As idas à praia, as brincadeiras com os primos todos rapazes, em que me especializei em construções de casas com tijolos, salto em comprimento e altura.
As idas à quinta onde trabalhava o meu padrinho na carroça do macho, apanhar fruta e caracóis.
O cheiro da roupa da cama da avó, a trança que fazia ao deitar e o beijo no sinal vermelho, com se fosse a benção. O cheiro da maresia que entrava por baixo da porta.
Os abraços da tia Lourdes e da minha madrinha Zézinha.
Ficou tudo lá longe mas tão cá dentro!

 O que mais te apaixona no teu filho?
A cumplicidade e a ternura. As mãos e os olhos lindos.

* Qual foi o momento mais difícil nos primeiros dias como mãe?
Antes de se tornar verdadeiro prazer, foi amamentar, ela mordía-me!

* E o momento mais feliz após o nascimento do baby?
Quando o meu pai a viu já em casa. Não pôde ir ver-nos à maternidadde. Foi um momento único.

* Qual era sua segunda opção de nome para o bebê? E se fosse menino (a)?
Não foi nada fácil e não havia alternativas. Se fosse rapaz, seria João.
* Pretende ser mãe novamente? Se sim, quando? Se não, por que?
Era o que mais faltava nesta altura do campeonato. Agora aponto para ser avó um dia...
E pronto! Fico à espera.
Saliento que nem todas têm blog, mas podem sempre fazer uma nota no FB. E se for contra as regras, azar!!!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Olá pai, dia feliz!

Gostavas dos teus aniversários.
Ter-te-ías levantado de "madrugada", numa ansiedade de menino no primeiro dia de aulas. Perguntarias vezes sem conta o que era o almoço e a que hora chegaríamos.
A casa estaria cheirosa com os incensos que ías queimando. A mesa estaria posta por ti com ternura e detalhes mimosos.
Terias no rosto um sorriso de inocência e felicidade ao receber-nos à porta, que vigilavas a cada 5 minutos.
Terías um cheirinho bom a pai, amigo e colónia.
Terías 79 anos.
Com amor eterno, um beijo da tua menina.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Eugénio de Andrade num dia estranho

Adeus

"Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.

E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus."

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Mais uma vitória.


Sonhámos sempre juntas. Em ser felizes e ir concretizando os sonhos dia após dia. Sem muitas exigências, tendo em mente um dia de cada vez com muito amor e entrega.
Foi difícil o percurso até aqui. Separações, mudança de país, de amigos, perdas e conquistas.
Acompanhou-nos nesta viagem um homem com H grande nos últimos 12 anos. O nosso herói.
É dia de agradecer muito. A tudo, à vida e às pessoas que se cruzaram no nosso caminho.
Bem sei que o futuro é sempre incerto, que as coisas não estão fáceis para os jovens, mas pela minha parte continuarei a olhar para o céu.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Palavras vazias

Aprendi (num tempo de mais recato) que as palavras podem ser sujeitas a muitas interpretações e por isso mesmo são sagradas, não devendo ser banalizadas. Incomoda-me, envergonha-me até que palavras como "Amor", "Amo-te", "Querido (a)", "Irmãos de alma" etc sejam "cuspidas" como uma pastilha elástica  que perdeu o sabor.
Para que eu chame "Amor" a alguém é porque sinto, para chamar "Querido" é porque existe ternura, para dizer "Amo-te" é porque amo.
Não quer isto dizer que os meus afectos se restrinjam ao meu núcleo familiar, porque Amo amgos ternos, sinto empatias fortes por pessoas com alma com as quais me vou cruzando. São realmente especiais, importantes para mim, algumas delas até virtuais...daquelas coisas que acontecem sem que o filtro da razão consiga actuar. E é bom, sentirmo-nos deveras admirados, considerados e importantes para alguém e poder devolver esse carinho.
Devia pensar-se um bocadinho antes de "promover" as pessoas a estatutos, para que não nos enganemos nem enganemos ninguém. Não é justo para ambas as partes e às vezes traz amargos de boca quando percebemos que afinal não era bem assim,
As verdades e sinceridades implícitas nas palavras, devem ser bem geridas, mesmo até para não correrem o risco de se tornarem ridículas, despropositadas.
Muitas vezes as palavras nem sequer fazem falta.
Mas isto sou só eu que não sou uma pessoa "mais ou menos".
Pelo menos tento.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Não importa

Estes últimos dias não têm sido nada fáceis. Entre viagens à minha alma, às minhas memórias, ao meu passado,  até uma chuva e frio persistentes, tudo tem contribuido para que eu ande macambúzia.
No entanto, não abdico de mim, da pessoa que sou, por inteiro, cheia de defeitos. Não abdico, porque sou verdadeira comigo , a quem devo a máxima das fidelidades. Sofrimento (ou não) à parte, não quero ser outra e, gosto destes meus reencontros. De vez em quando pareço adormecer, cair no meu próprio esquecimento, porque a vida é feita de escolhas e tem que haver um tempo para tudo. Para as alturas certas.
Quem me conhece sabe que sou assim. Respeita os meus espaços e sabe ainda que quem passa docemente na minha vida, tem sempre um canto à espera, um beijo, um abraço. Não importa que o tempo e o espaço nos separe.
Não importa mesmo.
Chove que se farta...