Gostavas dos teus aniversários.
Ter-te-ías levantado de "madrugada", numa ansiedade de menino no primeiro dia de aulas. Perguntarias vezes sem conta o que era o almoço e a que hora chegaríamos.
A casa estaria cheirosa com os incensos que ías queimando. A mesa estaria posta por ti com ternura e detalhes mimosos.
Terias no rosto um sorriso de inocência e felicidade ao receber-nos à porta, que vigilavas a cada 5 minutos.
Terías um cheirinho bom a pai, amigo e colónia.
Terías 79 anos.
Com amor eterno, um beijo da tua menina.
O sol dos dias, vem das almas, das coisas simples da vida. Emoções doces são tudo o que preciso para que o sol apareça nos dias mais escuros.
terça-feira, 28 de junho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Eugénio de Andrade num dia estranho
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.
E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus."
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Mais uma vitória.
Sonhámos sempre juntas. Em ser felizes e ir concretizando os sonhos dia após dia. Sem muitas exigências, tendo em mente um dia de cada vez com muito amor e entrega.
Foi difícil o percurso até aqui. Separações, mudança de país, de amigos, perdas e conquistas.
Acompanhou-nos nesta viagem um homem com H grande nos últimos 12 anos. O nosso herói.
É dia de agradecer muito. A tudo, à vida e às pessoas que se cruzaram no nosso caminho.
Bem sei que o futuro é sempre incerto, que as coisas não estão fáceis para os jovens, mas pela minha parte continuarei a olhar para o céu.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Palavras vazias
Aprendi (num tempo de mais recato) que as palavras podem ser sujeitas a muitas interpretações e por isso mesmo são sagradas, não devendo ser banalizadas. Incomoda-me, envergonha-me até que palavras como "Amor", "Amo-te", "Querido (a)", "Irmãos de alma" etc sejam "cuspidas" como uma pastilha elástica que perdeu o sabor.
Para que eu chame "Amor" a alguém é porque sinto, para chamar "Querido" é porque existe ternura, para dizer "Amo-te" é porque amo.
Não quer isto dizer que os meus afectos se restrinjam ao meu núcleo familiar, porque Amo amgos ternos, sinto empatias fortes por pessoas com alma com as quais me vou cruzando. São realmente especiais, importantes para mim, algumas delas até virtuais...daquelas coisas que acontecem sem que o filtro da razão consiga actuar. E é bom, sentirmo-nos deveras admirados, considerados e importantes para alguém e poder devolver esse carinho.Devia pensar-se um bocadinho antes de "promover" as pessoas a estatutos, para que não nos enganemos nem enganemos ninguém. Não é justo para ambas as partes e às vezes traz amargos de boca quando percebemos que afinal não era bem assim,
As verdades e sinceridades implícitas nas palavras, devem ser bem geridas, mesmo até para não correrem o risco de se tornarem ridículas, despropositadas.
Muitas vezes as palavras nem sequer fazem falta.
Mas isto sou só eu que não sou uma pessoa "mais ou menos".
Pelo menos tento.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Não importa
Estes últimos dias não têm sido nada fáceis. Entre viagens à minha alma, às minhas memórias, ao meu passado, até uma chuva e frio persistentes, tudo tem contribuido para que eu ande macambúzia.
No entanto, não abdico de mim, da pessoa que sou, por inteiro, cheia de defeitos. Não abdico, porque sou verdadeira comigo , a quem devo a máxima das fidelidades. Sofrimento (ou não) à parte, não quero ser outra e, gosto destes meus reencontros. De vez em quando pareço adormecer, cair no meu próprio esquecimento, porque a vida é feita de escolhas e tem que haver um tempo para tudo. Para as alturas certas.
Quem me conhece sabe que sou assim. Respeita os meus espaços e sabe ainda que quem passa docemente na minha vida, tem sempre um canto à espera, um beijo, um abraço. Não importa que o tempo e o espaço nos separe.
Não importa mesmo.
Chove que se farta...
No entanto, não abdico de mim, da pessoa que sou, por inteiro, cheia de defeitos. Não abdico, porque sou verdadeira comigo , a quem devo a máxima das fidelidades. Sofrimento (ou não) à parte, não quero ser outra e, gosto destes meus reencontros. De vez em quando pareço adormecer, cair no meu próprio esquecimento, porque a vida é feita de escolhas e tem que haver um tempo para tudo. Para as alturas certas.
Quem me conhece sabe que sou assim. Respeita os meus espaços e sabe ainda que quem passa docemente na minha vida, tem sempre um canto à espera, um beijo, um abraço. Não importa que o tempo e o espaço nos separe.
Não importa mesmo.
Chove que se farta...
sábado, 14 de maio de 2011
Desafio literário
Recebi este desafio da Ana e a Vida e Utena que vou responder. Os livros são grandes companheiros e trazem-me outros mundos que me completam. Vou deixar de certeza muitos de fora, mas vamos a isso:
1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
Brumas de Avalon da Marion Zimmer Bradley. 4 vezes e a caminho da próxima.
2-Existe algum livro que começaste a ler, paraste,recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
O Regresso de Victoria Hislop. Kanervos, não passo do tereceiro capítulo
3 – Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria?
As Brumas de Avalon e Mia Couto (qualquer um)
4 – Que livro gostarias de ler mas que, por algum motivo, nunca leste?
Todos os que me faltam e que virão até mim. Apetece-me redescobrir José Saramago
5 – Que livro leste cuja cena final jamais conseguiste esquecer?
Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley
6 – Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
A minha mãe conta que eu aos 3 anos “lia” de cor com o pormenor de virar a a página no sítio certo. Enganava o pessoal na perfeição. Li Volta ao mundo em balão em 80 dias de Júlio Verne, Robinson Crusoe, A Ilha do Tesouro, Astérix (perdeu a piada com a morte do Goscinny) Sandokan (todos) de Emílio Salgari...
7 – Qual o livro que achaste mais chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Viagens na minha terra - Almeida Garrett fazia parte do programa escolar
8 – Indica alguns dos teus livros preferidos.
Para além dos que já mencionei temos: O Princepezinho - Saint Exupéry, Pilares da Terra – Ken Follett, Fazes-me falta – Inês Pedrosa, Kafka à beira mar – Haruki Murakami, Sinto Muito – Nuno Lobo Antunes, Contos do Nascer da Terra – Mia Couto, A Gárgola – Andrew Davidson e tantos outros. Gosto de José Luis Peixoto, António Lobo Antunes e Fernando Pessoa, pois claro.
9 – Que livro estás a ler neste momento?
A reler Capitães da areia de Jorge Amado e Tradutor de Chuvas do Mia Couto.
10 – Indica dez amigos para o Meme Literário.
Descupem qualquer coisinha, mas responda quem quiser.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Há quem consiga
"Never give up on someone you can't go a day without thinking about"
Era uma data especial. Não é todos os dias que um filho faz 18 anos. Pode nem mudar nada na rotina, podem continuar iguais a ontem mas há sempre um lado qualquer da história que assume outros contornos.
Não consigo entender a teimosia, estupidez, falta de humildade e bom senso de qualquer mãe/pai que se demite dos filhos.
Que se ganha com tais atitudes? Não é a vida o bastante clara e justa para mostrar caminhos? Para ensinar que os erros servem para ser corrigidos?
Os orgulhos falam mais alto. Há lágrimas que jamais deveriam ser derramadas por não haver quem as mereça.
Já basta quando ficamos orfãos e deixamos de ter a quem pertencer.
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